Da esquerda para a direita: o Subprefeito da Zona Oeste II, Edinelson; Nilsimar Nogueira, Diretora do Museu do Carnaval e neta do Cartola; o Secretário de Direitos Humanos e Igualdade Racial, Marcio Santos; o Subprefeito da Zona Oeste I, Chocolate; a ex-vereadora e deputada estadual Jurema Batista; André Lara, neto de Dona Ivone Lara; e o ator e roteirista Antônio Pitanga. - Todos reunidos durante o evento “Memória e Resistência”, na cerimônia de entrega do Diploma Dona Ivone Lara, realizada no dia 13 de maio pela Secretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial da Cidade do Rio de Janeiro.
No dia 13 de maio, data em que o Brasil marca o aniversário da Abolição da Escravatura, a Secretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial da Cidade do Rio de Janeiro realizou a entrega de 100 diplomas com o nome de Dona Ivone Lara, uma das maiores referências da cultura negra, do samba e da luta por dignidade humana no Brasil. O secretário Marcio Santos presidiu a cerimônia, que reuniu lideranças, representantes do movimento negro, pesquisadores, atores e agentes sociais, personalidades que, cada uma à sua forma, contribuem diariamente para a promoção da igualdade racial e o combate ao racismo no Rio de Janeiro. Um encontro que reafirmou o compromisso da pasta com o reconhecimento de trajetórias que inspiram gerações e transformam realidades.
A data não foi escolhida por acaso. O 13 de maio carrega ao mesmo tempo a memória de uma conquista histórica e o peso de uma dívida que o Brasil ainda tem com sua população negra. Celebrá-lo com a entrega de diplomas é afirmar que reconhecimento, reparação e valorização da cultura negra são gestos concretos de política pública.
Quem foi Dona Ivone Lara?
Nascida em 13 de abril de 1921, no Rio de Janeiro, Yvonne Lara da Costa cresceu em uma família profundamente ligada à música, filha de uma cantora de rancho carnavalesco e de um mecânico violonista integrante do Bloco dos Africanos. Sua infância foi marcada pela dor da perda precoce dos pais, mas também pela força de uma família que cultivou a arte e a identidade negra como forma de resistência. Seu tio Dionísio, músico da velha-guarda do choro, teve grande influência em sua formação e foi quem a ensinou a tocar cavaquinho. Ainda criança, Dona Ivone compôs seu primeiro samba aos 12 anos, “Tiê, tiê”, depois de ganhar de seus primos um pássaro da espécie tiê. Mas Dona Ivone não foi apenas artista, foi também uma profissional de saúde dedicada e pioneira. Ela ingressou aos 17 anos na faculdade de enfermagem e, posteriormente, especializou-se em terapia ocupacional com a médica Nise da Silveira, psiquiatra que revolucionou o tratamento das pessoas com problemas mentais no Brasil. Por mais de 30 anos, Dona Ivone trabalhou no campo da saúde mental, enfrentando não só o preconceito da área, mas também o racismo. Foi pioneira na luta antimanicomial no Brasil, transformando o cuidado psiquiátrico ao introduzir a arte e a música como formas de expressão e cura. No samba, sua trajetória foi igualmente revolucionária. Dona Ivone Lara fez história como a primeira mulher a integrar a ala de compositores de uma escola de samba e a assinar um samba-enredo, abrindo caminho para muitas outras mulheres que vieram depois, por isso ficou conhecida como a Rainha do Samba e a Grande Dama do Samba.
O dia 13 de abril, data de seu nascimento, foi instituído como o Dia Nacional da Mulher Sambista, homenagem à sua contribuição histórica para a valorização feminina no samba.
Por que o nome Dona Ivone Lara?
Escolher Dona Ivone Lara como símbolo deste diploma é reconhecer uma mulher negra, periférica, carioca, que não escolheu entre cuidar e criar, ela fez os dois com excelência e coragem. Sua vida representa exatamente os valores que a Secretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial defende: dignidade, resistência, cultura negra e compromisso com o próximo.
Entregar 100 diplomas com seu nome no 13 de maio é um ato simbólico e político: honrar quem veio antes, valorizar quem luta hoje e construir, juntos, um Rio mais justo e igualitário para todos os cariocas.











