Evento contou com as presenças da deputada federal Benedita da Silva; do ator e diretor Antonio Pitanga; do presidente da Fundação Palmares, João Jorge Rodrigues; do secretário municipal de cultura, Lucas Padilha; e do diretor-presidente da RioFilmes, Leonardo Edde.
Centenas de pessoas se reuniram no Cine Odeon no último sábado, 21 de março, para celebrar a cultural afro-brasileira e valorizar a produção artística e intelectual do povo negro. A Secretaria Especial de Direitos Humanos e Igualdade Racial (SEDHIR) escolheu o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial para realizar a exibição especial do filme “Malês”, dirigido por Antonio Pitanga e coproduzido pela RioFilmes, órgão da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), parceiros da iniciativa.
A obra, baseada em fatos históricos, retrata a Revolta dos Malês, a maior revolução da história do Brasil organizada por negros escravizados na Bahia, em Salvador. Em 1835, a insurreição mobilizou a população negra e foi chefiada por africanos muçulmanos e encabeçada por líderes como Pacífico Licutan (Antonio Pitanga). Ele reforçava a importância da participação de diferentes grupos, tribos e religiões para o sucesso da revolta e para o fim da escravidão. Na trama, um casal é separado após ser arrancado de sua terra natal na África e trazido para o Brasil à força como escravizados. Enquanto lutam para sobreviver e tentar se reencontrar, ambos se envolvem no levante dos Malês.
Para o secretário de Direitos Humanos e Igualdade Racial, Edson Santos, a exibição do filme fortalece o compromisso institucional com a promoção da igualdade racial e o acesso à cultura como ferramenta de transformação social. “É uma oportunidade de reflexão coletiva sobre memória, resistência e justiça racial. Combater o racismo é um dever permanente. Se a gente quiser, de fato, promover uma mudança estrutural na nossa sociedade, o enfrentamento ao racismo tem que ser um compromisso diário de todos nós. Não pode ficar só no discurso bonito nem restrito ao mês de novembro. Nesse sentido, a cultura é uma grande aliada porque conscientiza e estimula o pensamento crítico”, explicou.
O evento contou com as presenças da deputada federal Benedita da Silva; do presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues; do secretário municipal de cultura, Lucas Padilha; e do diretor-presidente da RioFilmes, Leonardo Edde.
Sempre bem humorado, o ator e diretor Antonio Pitanga, idealizador da obra, falou sobre o processo de criação. Ao se aprofundar na história da escravidão no Brasil, o artista emocionou a plateia. “Conseguimos transformar o Odeon num verdadeiro quilombo”, concluiu.
Benedita, esposa de Pitanga, contou que o filme demorou cerca de 30 anos para ser concebido, entre sair do papel e ganhar as telonas. “Nesses quase 33 anos de casamento eu acompanhei o surgimento da ideia, a luta por patrocínio e recursos financeiros, as gravações e, finalmente, o lançamento do filme, há um ano. Resolvi contar isso para vocês perceberam como tudo para nós, pessoas negras, demora mais. Isso é consequência do racismo estrutural ainda tão presente na nossa sociedade”, ressaltou.
O secretário Edson Santos contou que em 1989, quando ele e Pitanga eram colegas de vereança na Câmara Municipal do Rio, viu o ator lendo o livro “Malês” no plenário. “Na época, ele me disse que tinha o sonho de fazer um filme sobre esse livro que retrata uma parte tão importante da nossa história. E fez. A única promessa que o Pitanga não cumpriu foi que eu estaria no filme”, brincou, arrancando risadas do público.
Durante o evento, o secretário municipal de cultura, Lucas Padilha, anunciou que a próxima exibição no Cine Odeon será o documentário “Os Três Obás de Xangô”, ambientado na Bahia, que aborda a icônica amizade entre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé. O ator Diogo Almeida foi o mestre de cerimônias do evento.
Plano Municipal pela Primeira Infância Antirracista (PMPIA)
Logo após o filme, a Prefeitura do Rio realizou o pré-lançamento do Plano Municipal pela Primeira Infância Antirracista (PMPIA). De iniciativa da UNICEF, o plano é uma espécie de carta-compromisso contendo diretrizes e políticas públicas organizadas em seis eixos. O documento pretende desenhar um projeto de cidade antirracista, voltado às crianças de 0 a 6 anos, para nortear a implementação de ações na próxima década.
O PMPIA foca na superação das desigualdades desde a primeira infância e garante desenvolvimento integral com equidade racial desde o início da vida. Os seis eixos estruturantes do projeto são: Cidade, Espaço Urbano, Direito ao Território e Justiça Ambiental; Cultura, Esporte e Lazer; Educação Infantil (Creche e Pré-escola); Saúde e Desenvolvimento Integral; Comunicação, Participação Social e Engajamento Comunitário; e Prevenção às Violências contra Crianças.
“Por exemplo, no eixo de saúde há metas para a redução da mortalidade materna de mulheres negras e diretrizes para que crianças que residem em áreas conflagradas tenham acesso a saneamento básico. Já no eixo educação, o plano reforça a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nas escolas, conforme estabelece as leis federais 10.639 e 11.645”, destacou Marcelo Santana, coordenador de Promoção da Igualdade Racial da SEDHIR.
As iniciativas dialogam com a campanha dos 21 Dias de Ativismo contra o Racismo, que completa 10 anos em 2026, e fazem parte das diretrizes do Plano Juventude Negra Viva (PJNV), estratégia de promoção de direitos e prevenção às violências que atingem a juventude negra, articulando oportunidades, formação cidadã e acesso a políticas públicas.











